Há um mistério por resolver e o Pai Natal precisa de ajuda…
Começar a história ↓A manhã acordou com os raios de sol a inundar a cabana.
Corria a banda sonora preferida do velhote barrigudo: pássaros que voavam de galho em galho e conversavam entre si, num dialeto que ele nunca tinha conseguido entender. Ainda assim, pareciam felizes e entusiasmados.
E isso bastava!
Gotinhas de orvalho pingavam sobre uma cadeira velhota e surrada, à entrada do alpendre.
Aquela cadeira já tinha sido testemunha de muitos momentos deliciosos, enquanto o Pai Natal lia pilhas e pilhas de cartas que chegavam de todos os meninos do mundo.
O novo dia começara como tantos outros.
Frio lá fora e quentinho dentro de casa, sobretudo na cozinha, que cheirava deliciosamente a panquecas acabadas de fazer.
De água na boca, o velho abriu a porta do frigorífico para ir buscar o seu pote de Tulicreme.
Mas, com a porta ainda aberta, parou.
Um som estranho vinha da garagem.
CRACK!
O Pai Natal ficou imóvel.
— Que som estranho foi este? — perguntou a si próprio.
Fechou ligeiramente a porta do frigorífico e olhou pela janela.
Tudo parecia estar no seu devido lugar.
O cão continuava a dormir ao sol, como se nada no mundo fosse capaz de o incomodar. Os coelhos saltitavam para fora das suas tocas, à procura de comida.
Tudo normal.
Ou, pelo menos, parecia.
Porque havia qualquer coisa que lhe arrepiava a barba.
Uma sensação estranha, difícil de explicar. E, embora tudo parecesse perfeitamente tranquilo, o velho sentia que não estava.
Com aquela idade, já tinha aprendido a não ignorar os seus pressentimentos.
Contrariado, deixou o pequeno-almoço para depois.
Calçou as suas botas velhas e vestiu o casaco coçado que, embora quase tão velho como ele, continuava a ser o seu preferido.
Ajeitou-o, respirou fundo e saiu para a rua.
Destemido e curioso.
O seu instinto raramente falhava. E, em dezembro, com a aproximação do grande dia, tudo fervilhava de trabalho e preparativos.
Havia muito para fazer.
E, aparentemente, alguma coisa para descobrir.
O Pai Natal atravessou o pátio e dirigiu-se ao espaço das renas.
Como fazia todas as manhãs, cumprimentou-as uma a uma.
— Bom dia, Felizmina! Como estás hoje, Clotilde?
As renas levantavam a cabeça, abanavam as orelhas e continuavam tranquilamente os seus afazeres.
O velho sorria.
Até que parou.
Olhou novamente para o grupo.
Contou as renas.
Uma.
Duas.
Três...
— Mas falta alguém... Claro que falta!
O Pai Natal levou as mãos à cintura.
— O inconfundível Rodolfo!
Olhou para todos os lados.
— Rodolfo? — chamou, elevando a voz um pouco mais. — Rodolfo, onde andas tu? Tenho aqui umas cenouras gordinhas!
Esperou.
Nada.
— Rodolfo?
Mais nada.
O Pai Natal franziu o sobrolho.
— Isto não é normal... Ele não resiste a uma cenoura!
Olhou para o cesto que tinha trazido consigo, como se as cenouras pudessem ter alguma explicação para o desaparecimento.
Depois voltou a olhar para as renas.
Todas pareciam perfeitamente normais.
Demasiado normais, talvez.
— Estranho... — murmurou. — Ele é sempre o primeiro a vir receber-me!
O velho coçou a barba.
A garagem fazia ligação direta com o espaço das renas. Afinal, nem se imaginava a trabalhar sem as ter por perto.
Eram família.
Talvez o Rodolfo estivesse lá dentro.
Talvez tivesse entrado na garagem para se esconder do frio. Ou, quem sabe, tivesse encontrado um cantinho confortável para dormir.
O Pai Natal dirigiu-se às grandes portas da garagem.
— Rodolfo, se estás aí dentro, é melhor apareceres! Estas cenouras não vão ficar à espera o dia inteiro!
Sem obter resposta, agarrou nas portas.
E abriu-as de par em par.
O choque tomou conta dele.
A garagem estava, como se costuma dizer, virada do avesso.
Palha espalhada por todo o lado.
Ferramentas fora do lugar.
Os seus projetos espalhados pelo chão.
Molduras tortas.
E o seu trenó!
O seu magnífico trenó!
O Pai Natal ficou parado à entrada, sem conseguir acreditar no que tinha diante dos olhos.
Depois levou as mãos à cabeça.
— CUM CATANO! O QUE ACONTECEU AQUI?!
A sua voz ecoou pela garagem.
O caos estava instalado.
O seu belo trenó, revisto e preparado para a grande viagem, estava completamente danificado.
Peças fora do lugar.
Rédeas enroladas.
Faróis pendurados.
Luzes a piscar, quando não deviam piscar de maneira nenhuma!
O Pai Natal aproximou-se lentamente.
Olhou para uma das laterais.
Depois para a parte de trás.
Depois para o chão.
— Ai, o meu trenó...
Aquele trenó levava-o pelo mundo fora, noite após noite, ano após ano.
E agora, naquele estado, provavelmente não seria capaz de o levar sequer até aos portões da quinta!
O Pai Natal passou as mãos pela barba procupado e sem acreditar no que via!
Quem teria sido capaz de tamanha maldade?
Quem teria entrado na garagem?
E, acima de tudo...
Onde estava o Rodolfo?
Olhou para todos os cantos.
Atrás das caixas.
Debaixo da bancada.
Junto às ferramentas.
Nada.
Nem sinal dele.
O Rodolfo tinha desaparecido.
Tudo aquilo era demais, até para um homem habituado aos desafios do Natal.
O pânico começou a tomar conta do velho.
Na sua cabeça, o calendário parecia crescer cada vez mais, como se quisesse engoli-lo inteiro.
Dezembro.
O grande dia estava a poucos dias de distância.
Como haveria de fazer a viagem pelo mundo com o trenó naquele estado?
E sem o Rodolfo?
— Ai, ai, ai... Estamos tramados!
O Pai Natal deu uma volta sobre si próprio.
Depois outra.
E, finalmente, tomou uma decisão. Era preciso chamar os duendes. Imediatamente!
O Pai Natal saiu da garagem e dirigiu-se ao grande sino que utilizava para reunir os duendes em situações de emergência.
Agarrou na corda.
E puxou.
BLIM BLOM!
BLIM BLOM!
BLIM BLOM!
Três badaladas.
Era o sinal combinado.
Todos os duendes tinham de se apresentar à porta da garagem.
E depressa!
Lá dentro da oficina, os duendes interromperam o que estavam a fazer.
Uns largaram ferramentas.
Outros deixaram cair rolos de tecido.
Um deles, que estava a pintar uma pequena peça, ficou com o pincel suspenso no ar.
— O sino! — gritou alguém.
— O que aconteceu?
— É uma emergência!
— Outra vez?!
Pouco a pouco, começaram a chegar à garagem.
Todos, menos um.
O Alfredo.
O Alfredo era sempre o último.
Sempre.
Naquele dia, chegou ainda a calçar as botas, com o gorro de dormir enfiado na cabeça, dando-lhe um ar meio tonto.
E, como de costume, não largava a sua preciosa caixa de bolachas.
Uma caixa que carregava para todo o lado.
E que não partilhava com ninguém.
Nem em situações de emergência.
Sobretudo em situações de emergência.
O Pai Natal, entretanto, estava vermelho de raiva e preocupação.
Precisava de respirar fundo.
Precisava de perceber o que tinha acontecido.
E precisava da ajuda de todos.
Com urgência!
Quando finalmente todos os duendes se reuniram à porta da garagem, o velho endireitou-se.
Respirou fundo.
Passou a mão pelo cabelo branco
E começou a falar.
— Meus caros senhores... temos um problema em mãos!
Os duendes ficaram em silêncio.
O Pai Natal apontou para a garagem.
— A nossa garagem foi assaltada!
Um murmúrio de espanto percorreu o grupo.
— Danificaram o nosso trenó...
O velho olhou para o interior da garagem e baixou a cabeça durante alguns segundos.
— Ai, o meu trenó... Nem quero pensar!
Mas rapidamente aclarou a garganta, endireitou-se e recuperou a sua voz firme.
— E, para além disso, o nosso Rodolfo também desapareceu!
Olhou para todos os duendes.
— Já o chamei por todo o lado! Até lhe ofereci as cenouras especiais! E nem assim ele apareceu!
Fez uma pausa.
Os duendes entreolharam-se.
O Pai Natal respirou fundo.
— Meus caros, precisamos de perceber o que aconteceu. Precisamos encontrar o Rodolfo. E precisamos de reparar o meu querido trenó!
Nesse instante, um dos duendes deu um passo em frente.
Era o mais dramático de todos.
O mais pessimista.
Aquele que, perante qualquer problema, conseguia imaginar pelo menos vinte desgraças diferentes.
E começou:
— Ahhhhhhh! Que desgraça, senhor! Oh, que miséria! Oh, o que faremos nós este Natal sem trenó e sem Rodolfo?!
Levou as mãos à cabeça.
— É ele que o guia no caminho! E não pode ir de Uber entregar os presentes! Oh, senhor, este Natal está destruído! Vamos todos passar fome! Será a desgraça! Mais nenhuma criança vai acreditar em nós! Vamos ser esquecidos e...
SPLASH!
Não se sabe bem de onde surgiu um copo de água.
Mas sabe-se que acabou em cima do duende.
Da cabeça aos pés.
O duende ficou completamente encharcado.
Silêncio.
O Pai Natal estava de boca aberta.
Os restantes duendes olhavam para o companheiro molhado.
O duende pestanejou.
— ...e vamos todos ficar constipados?
Ninguém respondeu.
O Pai Natal passou a mão pela cara.
— Alguém que lhe arranje um pano, por favor?
Depois de alguns segundos a recuperar do caos, o Pai Natal endireitou-se.
Precisava de assumir o comando.
— Muito bem! Não vamos entrar em pânico!
Olhou para os duendes, um por um.
— Precisamos de criar equipas!
A voz do velho tornou-se firme.
— Uma equipa vai tratar de arrumar a garagem.
Apontou para a palha espalhada e para as ferramentas.
— Outra vai avaliar os danos do meu querido e estimado trenó.
Olhou para o veículo e suspirou.
— E outra vai procurar as pistas deixadas pelos responsáveis pelo rapto do Rodolfo e pela destruição de tudo o que aqui está!!
Os duendes começaram a acenar com a cabeça.
Parecia um plano.
Um plano bastante razoável.
Até que um dos duendes levantou a mão.
— Mas, senhor...
O Pai Natal olhou para ele.
— Sim?
— Nós somos só seis duendes.
O velho ficou em silêncio.
O duende continuou:
— Os restantes estão ocupados a produzir os presentes.
O Pai Natal olhou para a garagem.
Depois olhou para os seis duendes.
Depois voltou a olhar para a garagem.
O duende pessimista, entretanto, recuperou a capacidade de falar.
— Oh, meu Deus! Não vamos conseguir! Vai ser tão difícil! Eu diria mesmo impossível! Vai ser uma desgraça! As crianças vão esquecer-se de nós e ficaremos desacreditados para sempre! E vamos todos...
— CALA-TE! — gritaram todos os duendes em simultâneo.
Todos, menos o Alfredo.
O Alfredo tinha a boca cheia de bolachas.
E, por isso, limitou-se a continuar a mastigar.
O duende pessimista cruzou os braços.
— Desculpem, sim! — respondeu, fazendo uma careta aos outros.
O Pai Natal fechou os olhos por um instante.
Contou até três.
Depois abriu-os.
Precisava de pensar.
Enquanto o velho coçava a barba, mil pensamentos lhe atravessavam a cabeça.
Como iria resolver aquele mistério?
Quem teria entrado na garagem?
Quem teria destruído o trenó?
Porque motivo tinham raptado o Rodolfo?
E quem teria sido capaz de tamanha maldade?
O Pai Natal olhou para o trenó.
Para as ferramentas espalhadas.
Para as molduras tortas das renas.
Para os seis duendes que, apesar de tudo, continuavam ali.
Prontos para ajudar.
E então percebeu uma coisa.
Talvez não precisasse de fazer tudo sozinho.
Talvez não precisasse sequer de contar apenas com os duendes.
Precisava de mais mãos.
De mais olhos.
De mais pessoas dispostas a ajudar.
O velho endireitou-se.
Um sorriso começou a aparecer-lhe no rosto.
— Meus caros...
Os duendes olharam para ele.
— Precisamos de ajuda!
O Alfredo parou de mastigar.
O duende pessimista abriu a boca, pronto para começar outra vez.
O Pai Natal levantou um dedo.
— Nem penses nisso!
O duende fechou a boca.
O Pai Natal voltou a sorrir.
Olhou para a frente.
Como se soubesse que alguém estava ali, mesmo à porta da garagem.
Alguém que talvez pudesse ajudar.
— E acho que é aqui que tu entras! Sim estou a falar contigo criança!
— Precisamos de pequenos ajudantes! Crianças corajosas, atentas e com vontade de pôr as mãos na massa!
-
Olha para o trenó e para a garagem! Estamos de coração partido!
-
Vamos falar baixinho pode ser ?
— O meu trenó precisa de ser reparado. Temos ferramentas espalhadas, peças fora do lugar e muito trabalho pela frente!
— Achas que podes ajudar-me?
— Porque, entre nós... estes duendes não chegam para tudo!
O Alfredo levanta a mão, ainda com a caixa de bolachas na outra.
— Eu ouvi isso!
-
vamos ignorá-lo!
— Precisamos arrumar a garagem, descobrir o que aconteceu ao trenó e, quem sabe, encontrar algumas pistas sobre o Rodolfo!
— Diz-me uma coisa... o que achas que aconteceu aqui? Estás pronto para ser parte desta equipa ?
Quero muito contar contigo! Este natal podes ser tu a fazer este velho feliz?
O Pai Natal está à espera dos seus pequenos ajudantes. Será que vamos conseguir descobrir o que aconteceu ao Rodolfo?
Há um mistério por resolver e o Pai Natal precisa de ajuda…
Começar a história ↓A manhã acordou com os raios de sol a inundar a cabana.
Corria a banda sonora preferida do velhote barrigudo: pássaros que voavam de galho em galho e conversavam entre si, num dialeto que ele nunca tinha conseguido entender. Ainda assim, pareciam felizes e entusiasmados.
E isso bastava!
Gotinhas de orvalho pingavam sobre uma cadeira velhota e surrada, à entrada do alpendre.
Aquela cadeira já tinha sido testemunha de muitos momentos deliciosos, enquanto o Pai Natal lia pilhas e pilhas de cartas que chegavam de todos os meninos do mundo.
O novo dia começara como tantos outros.
Frio lá fora e quentinho dentro de casa, sobretudo na cozinha, que cheirava deliciosamente a panquecas acabadas de fazer.
De água na boca, o velho abriu a porta do frigorífico para ir buscar o seu pote de Tulicreme.
Mas, com a porta ainda aberta, parou.
Um som estranho vinha da garagem.
CRACK!
O Pai Natal ficou imóvel.
— Que som estranho foi este? — perguntou a si próprio.
Fechou ligeiramente a porta do frigorífico e olhou pela janela.
Tudo parecia estar no seu devido lugar.
O cão continuava a dormir ao sol, como se nada no mundo fosse capaz de o incomodar. Os coelhos saltitavam para fora das suas tocas, à procura de comida.
Tudo normal.
Ou, pelo menos, parecia.
Porque havia qualquer coisa que lhe arrepiava a barba.
Uma sensação estranha, difícil de explicar. E, embora tudo parecesse perfeitamente tranquilo, o velho sentia que não estava.
Com aquela idade, já tinha aprendido a não ignorar os seus pressentimentos.
Contrariado, deixou o pequeno-almoço para depois.
Calçou as suas botas velhas e vestiu o casaco coçado que, embora quase tão velho como ele, continuava a ser o seu preferido.
Ajeitou-o, respirou fundo e saiu para a rua.
Destemido e curioso.
O seu instinto raramente falhava. E, em dezembro, com a aproximação do grande dia, tudo fervilhava de trabalho e preparativos.
Havia muito para fazer.
E, aparentemente, alguma coisa para descobrir.
O Pai Natal atravessou o pátio e dirigiu-se ao espaço das renas.
Como fazia todas as manhãs, cumprimentou-as uma a uma.
— Bom dia, Felizmina! Como estás hoje, Clotilde?
As renas levantavam a cabeça, abanavam as orelhas e continuavam tranquilamente os seus afazeres.
O velho sorria.
Até que parou.
Olhou novamente para o grupo.
Contou as renas.
Uma.
Duas.
Três...
— Mas falta alguém... Claro que falta!
O Pai Natal levou as mãos à cintura.
— O inconfundível Rodolfo!
Olhou para todos os lados.
— Rodolfo? — chamou, elevando a voz um pouco mais. — Rodolfo, onde andas tu? Tenho aqui umas cenouras gordinhas!
Esperou.
Nada.
— Rodolfo?
Mais nada.
O Pai Natal franziu o sobrolho.
— Isto não é normal... Ele não resiste a uma cenoura!
Olhou para o cesto que tinha trazido consigo, como se as cenouras pudessem ter alguma explicação para o desaparecimento.
Depois voltou a olhar para as renas.
Todas pareciam perfeitamente normais.
Demasiado normais, talvez.
— Estranho... — murmurou. — Ele é sempre o primeiro a vir receber-me!
O velho coçou a barba.
A garagem fazia ligação direta com o espaço das renas. Afinal, nem se imaginava a trabalhar sem as ter por perto.
Eram família.
Talvez o Rodolfo estivesse lá dentro.
Talvez tivesse entrado na garagem para se esconder do frio. Ou, quem sabe, tivesse encontrado um cantinho confortável para dormir.
O Pai Natal dirigiu-se às grandes portas da garagem.
— Rodolfo, se estás aí dentro, é melhor apareceres! Estas cenouras não vão ficar à espera o dia inteiro!
Sem obter resposta, agarrou nas portas.
E abriu-as de par em par.
O choque tomou conta dele.
A garagem estava, como se costuma dizer, virada do avesso.
Palha espalhada por todo o lado.
Ferramentas fora do lugar.
Os seus projetos espalhados pelo chão.
Molduras tortas.
E o seu trenó!
O seu magnífico trenó!
O Pai Natal ficou parado à entrada, sem conseguir acreditar no que tinha diante dos olhos.
Depois levou as mãos à cabeça.
— CUM CATANO! O QUE ACONTECEU AQUI?!
A sua voz ecoou pela garagem.
O caos estava instalado.
O seu belo trenó, revisto e preparado para a grande viagem, estava completamente danificado.
Peças fora do lugar.
Rédeas enroladas.
Faróis pendurados.
Luzes a piscar, quando não deviam piscar de maneira nenhuma!
O Pai Natal aproximou-se lentamente.
Olhou para uma das laterais.
Depois para a parte de trás.
Depois para o chão.
— Ai, o meu trenó...
Aquele trenó levava-o pelo mundo fora, noite após noite, ano após ano.
E agora, naquele estado, provavelmente não seria capaz de o levar sequer até aos portões da quinta!
O Pai Natal passou as mãos pela barba procupado e sem acreditar no que via!
Quem teria sido capaz de tamanha maldade?
Quem teria entrado na garagem?
E, acima de tudo...
Onde estava o Rodolfo?
Olhou para todos os cantos.
Atrás das caixas.
Debaixo da bancada.
Junto às ferramentas.
Nada.
Nem sinal dele.
O Rodolfo tinha desaparecido.
Tudo aquilo era demais, até para um homem habituado aos desafios do Natal.
O pânico começou a tomar conta do velho.
Na sua cabeça, o calendário parecia crescer cada vez mais, como se quisesse engoli-lo inteiro.
Dezembro.
O grande dia estava a poucos dias de distância.
Como haveria de fazer a viagem pelo mundo com o trenó naquele estado?
E sem o Rodolfo?
— Ai, ai, ai... Estamos tramados!
O Pai Natal deu uma volta sobre si próprio.
Depois outra.
E, finalmente, tomou uma decisão. Era preciso chamar os duendes. Imediatamente!
O Pai Natal saiu da garagem e dirigiu-se ao grande sino que utilizava para reunir os duendes em situações de emergência.
Agarrou na corda.
E puxou.
BLIM BLOM!
BLIM BLOM!
BLIM BLOM!
Três badaladas.
Era o sinal combinado.
Todos os duendes tinham de se apresentar à porta da garagem.
E depressa!
Lá dentro da oficina, os duendes interromperam o que estavam a fazer.
Uns largaram ferramentas.
Outros deixaram cair rolos de tecido.
Um deles, que estava a pintar uma pequena peça, ficou com o pincel suspenso no ar.
— O sino! — gritou alguém.
— O que aconteceu?
— É uma emergência!
— Outra vez?!
Pouco a pouco, começaram a chegar à garagem.
Todos, menos um.
O Alfredo.
O Alfredo era sempre o último.
Sempre.
Naquele dia, chegou ainda a calçar as botas, com o gorro de dormir enfiado na cabeça, dando-lhe um ar meio tonto.
E, como de costume, não largava a sua preciosa caixa de bolachas.
Uma caixa que carregava para todo o lado.
E que não partilhava com ninguém.
Nem em situações de emergência.
Sobretudo em situações de emergência.
O Pai Natal, entretanto, estava vermelho de raiva e preocupação.
Precisava de respirar fundo.
Precisava de perceber o que tinha acontecido.
E precisava da ajuda de todos.
Com urgência!
Quando finalmente todos os duendes se reuniram à porta da garagem, o velho endireitou-se.
Respirou fundo.
Passou a mão pelo cabelo branco
E começou a falar.
— Meus caros senhores... temos um problema em mãos!
Os duendes ficaram em silêncio.
O Pai Natal apontou para a garagem.
— A nossa garagem foi assaltada!
Um murmúrio de espanto percorreu o grupo.
— Danificaram o nosso trenó...
O velho olhou para o interior da garagem e baixou a cabeça durante alguns segundos.
— Ai, o meu trenó... Nem quero pensar!
Mas rapidamente aclarou a garganta, endireitou-se e recuperou a sua voz firme.
— E, para além disso, o nosso Rodolfo também desapareceu!
Olhou para todos os duendes.
— Já o chamei por todo o lado! Até lhe ofereci as cenouras especiais! E nem assim ele apareceu!
Fez uma pausa.
Os duendes entreolharam-se.
O Pai Natal respirou fundo.
— Meus caros, precisamos de perceber o que aconteceu. Precisamos encontrar o Rodolfo. E precisamos de reparar o meu querido trenó!
Nesse instante, um dos duendes deu um passo em frente.
Era o mais dramático de todos.
O mais pessimista.
Aquele que, perante qualquer problema, conseguia imaginar pelo menos vinte desgraças diferentes.
E começou:
— Ahhhhhhh! Que desgraça, senhor! Oh, que miséria! Oh, o que faremos nós este Natal sem trenó e sem Rodolfo?!
Levou as mãos à cabeça.
— É ele que o guia no caminho! E não pode ir de Uber entregar os presentes! Oh, senhor, este Natal está destruído! Vamos todos passar fome! Será a desgraça! Mais nenhuma criança vai acreditar em nós! Vamos ser esquecidos e...
SPLASH!
Não se sabe bem de onde surgiu um copo de água.
Mas sabe-se que acabou em cima do duende.
Da cabeça aos pés.
O duende ficou completamente encharcado.
Silêncio.
O Pai Natal estava de boca aberta.
Os restantes duendes olhavam para o companheiro molhado.
O duende pestanejou.
— ...e vamos todos ficar constipados?
Ninguém respondeu.
O Pai Natal passou a mão pela cara.
— Alguém que lhe arranje um pano, por favor?
Depois de alguns segundos a recuperar do caos, o Pai Natal endireitou-se.
Precisava de assumir o comando.
— Muito bem! Não vamos entrar em pânico!
Olhou para os duendes, um por um.
— Precisamos de criar equipas!
A voz do velho tornou-se firme.
— Uma equipa vai tratar de arrumar a garagem.
Apontou para a palha espalhada e para as ferramentas.
— Outra vai avaliar os danos do meu querido e estimado trenó.
Olhou para o veículo e suspirou.
— E outra vai procurar as pistas deixadas pelos responsáveis pelo rapto do Rodolfo e pela destruição de tudo o que aqui está!!
Os duendes começaram a acenar com a cabeça.
Parecia um plano.
Um plano bastante razoável.
Até que um dos duendes levantou a mão.
— Mas, senhor...
O Pai Natal olhou para ele.
— Sim?
— Nós somos só seis duendes.
O velho ficou em silêncio.
O duende continuou:
— Os restantes estão ocupados a produzir os presentes.
O Pai Natal olhou para a garagem.
Depois olhou para os seis duendes.
Depois voltou a olhar para a garagem.
O duende pessimista, entretanto, recuperou a capacidade de falar.
— Oh, meu Deus! Não vamos conseguir! Vai ser tão difícil! Eu diria mesmo impossível! Vai ser uma desgraça! As crianças vão esquecer-se de nós e ficaremos desacreditados para sempre! E vamos todos...
— CALA-TE! — gritaram todos os duendes em simultâneo.
Todos, menos o Alfredo.
O Alfredo tinha a boca cheia de bolachas.
E, por isso, limitou-se a continuar a mastigar.
O duende pessimista cruzou os braços.
— Desculpem, sim! — respondeu, fazendo uma careta aos outros.
O Pai Natal fechou os olhos por um instante.
Contou até três.
Depois abriu-os.
Precisava de pensar.
Enquanto o velho coçava a barba, mil pensamentos lhe atravessavam a cabeça.
Como iria resolver aquele mistério?
Quem teria entrado na garagem?
Quem teria destruído o trenó?
Porque motivo tinham raptado o Rodolfo?
E quem teria sido capaz de tamanha maldade?
O Pai Natal olhou para o trenó.
Para as ferramentas espalhadas.
Para as molduras tortas das renas.
Para os seis duendes que, apesar de tudo, continuavam ali.
Prontos para ajudar.
E então percebeu uma coisa.
Talvez não precisasse de fazer tudo sozinho.
Talvez não precisasse sequer de contar apenas com os duendes.
Precisava de mais mãos.
De mais olhos.
De mais pessoas dispostas a ajudar.
O velho endireitou-se.
Um sorriso começou a aparecer-lhe no rosto.
— Meus caros...
Os duendes olharam para ele.
— Precisamos de ajuda!
O Alfredo parou de mastigar.
O duende pessimista abriu a boca, pronto para começar outra vez.
O Pai Natal levantou um dedo.
— Nem penses nisso!
O duende fechou a boca.
O Pai Natal voltou a sorrir.
Olhou para a frente.
Como se soubesse que alguém estava ali, mesmo à porta da garagem.
Alguém que talvez pudesse ajudar.
— E acho que é aqui que tu entras! Sim estou a falar contigo criança!
— Precisamos de pequenos ajudantes! Crianças corajosas, atentas e com vontade de pôr as mãos na massa!
-
Olha para o trenó e para a garagem! Estamos de coração partido!
-
Vamos falar baixinho pode ser ?
— O meu trenó precisa de ser reparado. Temos ferramentas espalhadas, peças fora do lugar e muito trabalho pela frente!
— Achas que podes ajudar-me?
— Porque, entre nós... estes duendes não chegam para tudo!
O Alfredo levanta a mão, ainda com a caixa de bolachas na outra.
— Eu ouvi isso!
-
vamos ignorá-lo!
— Precisamos arrumar a garagem, descobrir o que aconteceu ao trenó e, quem sabe, encontrar algumas pistas sobre o Rodolfo!
— Diz-me uma coisa... o que achas que aconteceu aqui? Estás pronto para ser parte desta equipa ?
Quero muito contar contigo! Este natal podes ser tu a fazer este velho feliz?
O Pai Natal está à espera dos seus pequenos ajudantes. Será que vamos conseguir descobrir o que aconteceu ao Rodolfo?